27 de set de 2016

quimera




"What's in a name? That which we call a rose
By any other name would smell as sweet."
Romeo and Juliet (II, ii, 1-2)

Guardo tudo 
em arquivos 
ilógicos e anárquicos 
que nem eu mesma entendo. 

Estranhas conexões, 
símbolos absurdos. 

Guardei você, 
sua imagem, 
sob um ícone multicolorido. 

Outro nome, 
outras cores
mas é você. 

 "Que há num nome? Aquilo que chamamos rosa com qualquer outro nome seria igualmente doce".

Janelas  
 nuvens  
                     espelhos 
  sonhos
              olhos tristes 

 Kamikazes de papel ! 

Coleciono palavras e
 gosto de dançar com elas,
 me esconder debaixo delas.

 Você brincando, 
distraído e rápido,
 as decodifica. 

Devo ser fácil 
 óbvia demais. 

Sorriso 
sorvete 
tarde 
música 
 notas erradas! 

Palavras e imagens 
caem sobre mim 
em largas e pesadas gotas.

 Janelas 
nuvens 
espelhos
sonhos
olhos tristes 
Kamikazes de papel! 

Tudo fica absurdamente importante
 quando nada é tudo que se tem. 

Sorriso 
sorvete 
tarde 
música
notas erradas! 

O menino sorri e 
e pede a caneta,
 precisa que desenhe 

os olhos do homem-aranha

 a adolescente resmunga
 e eu sorrio. 

Janelas 
nuvens 
espelhos 
sonhos 
olhos tristes 
Kamikazes de papel! 

Seu sorriso surge 
na tela da memória, 
bem ali ao alcance da mão,
 ao alcance do beijo. 

Está bem ali 
transfigurado 
 símbolo de algo bom. 

É meu agora 
e eu gosto dele, 
mas e daí ? 

Nada? 

Tudo? 

E daí? 

Ainda é preciso desenhar
 os olhos do homem aranha 
 ouvir alguns resmungos

 importantíssimos

 Sorriso 
sorvete 
tarde 
música 
 notas erradas! 

Guardei você também,
 sorrisos e palavras 

 vamos combinar assim: 

Você não me decifra 
e eu não te devoro. 

Janelas 
 nuvens 
espelhos 
sonhos 
olhos tristes 

Kamikazes de papel!