24 de out de 2016

Verbo Suicida








resisto ao verbo, faço-me de forte.
e as palavras caem,
tilintam pelo caos
canção feita de ecos,
dissonante, alma errante
árida,
viciada e exangue,
por onde minhas águas saem.


não discuto, pois se é de luto,
é tarde
demais para que eu chore.


elas despencam
desarvoradas e inertes,
e mesmo a flor que nasce
morre...
desabada pelo chão.


ouve
retinem sinos enferrujados!
pelo céu destroçado
de cada uma de minhas preces.


tuas palavras esfiapadas
flutuam em cacos de sorrisos,
Somes! Desapareces...
e me ficam só
sussurros em fios partidos.


e louca, tal Joana de Espanha,
danço distraída pela algaravia
e as palavras caem
espargindo os cacos
vítreos pedaços
de cada lágrima
em que refulge teu olhar
e que não ousei verter.


é tão tarde, não vê ...?


com que rimas direi
minhas palavras?
se meu verbo está mudo
pela tua boca colada à minha...?
pelo vírus que me sangra ,
pelos teus infernais remédios...
pelo que só se sente
diante do tédio
que sente cada escritor.
a dor de não fingir o que sente,
esse processo indecente
de rasgar laudas e laudas,
lançando-as aos céus.
são apenas, e tão somente
fantasmas...
kamikazes
de papel...