4 de dez de 2008

apóstrofe delicada



pontes foram feitas para ligar
inícios e fins
de caminhos
desejados.

sinto-nos juntos
muito embora separados,
paralelos que somos
em arte, vida e missão.

e, de eufemismo em eufemismo
você pouco entende,
e eu cismo
de arrancar os olhos
de dentro de minhas
órbitas...

já passou muito tempo
entre início e fim
daquelas rotas.

e eu já pouco agüento
simplesmente
desconsiderar.

se o começo
não existiu
para, de alguma forma,
nos ligar,
do que valeu tanta dor?

do que valeu
ter bebido tanto amor
do cálice
de tuas entranhas...?

é uma delicadeza
estranha.

uma apóstrofe,
como uma bússola
sem norte,
sem lógica, sem sorte,
sem apontar caminhos,
sem delinear estrada,

sem nem ao mesmo
nos deixar sozinhos,
sem culpa ou perdão.
sem nada...

Eduardo Perrone