22 de jan de 2014

fumo



“Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
(...)
Fumo leve que foge entre os meus dedos!”

teu poema dança milongas
murmura segredos na bruma
que o vento sopra

meus olhos caçam os teus
que enormes e vagos
iluminam a noite perdida

balbucio palavras
recito verbos mortos

outro cigarro, 
outro copo, 
outro livro
e esse vazio maldito
que vive comigo 

queria gastar todos os verbos
todos os versos
toda a saliva 

murmuro outro poema, 
outra palavra,

o cigarro brilha na bruma
outro copo, 
outro livro.