7 de jan de 2013

Interstício




“no decorrer dos meses
Já não sei mais quem eu sou
E a pessoa Refletida
No espelho
Dos seus olhos
Por onde foi que entrou?”



Minha alma dança,
enevoada e cega
sob o jugo de mil pecados

Rutilante e trêmula bacante
que desaba em espirais sinuosas.

Ninguém vê o malabarismo das minhas lágrimas
sigo subjugada num equilíbrio frágil
pendurada nos delicados fios
tecidos por mãos insanas e frias

Corto delicadas lascas de mim
em inúteis remissões
fragmentos do que fui.

Culpas crescem indolentes
nas frestas dos teus silêncios
reforçam a filigrana prateada
que brota dos teus olhos vidrados

Beijos sonolentos me deslizam
por lençóis bordados de sonho,
enquanto amamento lobos mutantes
filhos das facas que se escondem no interstício
das palavras não ditas

Desfaço-me a cada dia pra te recompor
junto os cacos dos teus olhos
reconstruo os teus sonhos
enquanto abraço abismos.


(Citação "no escuro" de marina lima e antônio Cícero)