23 de mar de 2010

Vento. Litoral. Verdades e areia.


Vento. Litoral. Verdades e areia.
-Poema de Eduardo Perrone- Ouvindo Legião -


Decodifiquei-te, hoje.
E descobri
O quanto de verdade
Sempre houve naquilo tudo.
Havia -sim- corpo desnudo,
E havia -também- duvida inconcebível.
Havia pitadas de mentira
E uma certa dose
De esperança
Descompromissada.


Será que minto, quando digo:
-Foste ( e és) por mim amada...?
Te digo logo que não.
Desgraçadamente ultrapassaste a seara do mero tesão,
E ergui pirâmides de vidro
Para te ter eterna.
Minha musa tem bem mais
Do que braços e pernas.
Tem o cheiro de flores suaves
E os pelos de fera selvagem.


E tem mais!
Tem as miragens verdadeiras
De toda a mentira do mundo!
Um colo benquisto,
Onde, este vagabundo, sonhou em dormir.
Tem a voz da menina com quem quis dividir
Toda a loucura
Que coubesse,
Num ato obsceno,
Ou , quiçá, numa prece...


Sabe , moça...
Sinto, de verdade, a tua falta.
E aqui, da cidade alta,
Tento te enxergar em cada puta,
Tento te enxergar em cada monja,
Tento te enxergar em cada lugar
Onde pulse algo de vivo.
Onde , mesmo nesses abismos,
Possa haver sinais
Que me mostrem você.


E, aonde estais “(..)além daqui dentro de mim”? ...


Talvez estejas na dicotomia entre verdades e mentiras,
Entre estas, onde havia um nexo causal
Ligando bosques, baias e litoral,
Ligando desejos, beijos e murros.
Transpassando realidades e muros,
Onde em cada passo dado a frente,
Existiu um outro bem diferente
Levando-nos
Ao ponto
De partida.


Não minto quando te digo querida,
Tampouco quando te via perdida,
Entre o que dizias
E o que demonstravas...
Sei que havia travas!
E que tudo, em resumo, era verdade...
Essa mesma que ainda me arde
Hoje, ainda.
Vê-la assim tão linda, eclipsada a céu aberto,
E tão distante,embora finda, bem aqui perto.

“(...)Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua..."