13 de mar de 2008

FRESTAS-----------------------------------------------Eduardo Perrone.




Digam: Porque há festa?
Se em cada fresta
Destas velhas paredes,
Ainda rangem
Murmúrios de sede,
Lamentos de fome,
E desesperos tesos...
Ontem sonhei com teu beijo,
E,nele, no sonho,
O tempo pareceu congelado.
Eram nossos corpos suados
No mais rigoroso inverno
Que se tem notícia.
Sonheí com cada carícia
Que me faziam teus cabelos.
Sonhei com teus pelos,
E com o gosto que me
Deixavam na boca.
Sonheí com aquela coisa louca
De casar contigo
Bem no meio do perigo,
Desviando de balas perdidas,
Desviando-nos
Cada um de nossas vidas,
Desviadas num casamento sem festa.
Sim...
Cada fresta destas velhas paredes,
Testemunham a minha sede
Por bebê-la...
Bela, nua e crua.
E essa alma tua
Que meus sonhos nem sonham mais. 
Eduardo Perrone