5 de fev de 2008

A Poção da Bruxa Errante






Trago comigo, espetado no peito
a adaga vil de uma maga vã.
Enquanto jorra um fluxo quente
minando a força do sentido ardente,uma dança, em gargalhadas
inverossímeis,improvisa-se naquele planalto rente,
untado de frenesi.

Quando finda tenebroso ensaio,
Não sai a maga em sua vassoura errante:
Antes, desfila nas superquadras milimétricas,
Num voo rasante,
Com o seu ‘aspirador de pó’ gigante.
Antes da inconsciência,
banhado naquele caldeirão fumegante,
vislumbrei os feitiços elegantes
proferidos ela bruxa errante
quando, ainda fantasiada de musa,
me entregou os seus olhos brilhantes,impregnou seu cheiro em meus sonhos... e
sumiu.
Voara para o seu castelo.
Me atraiu de um encanto só...
E, antes de fechar a porta,
senti a adaga cortar a minha carne:
Leito dos Inocentes.
Eu era apenas mais um ingrediente
da poção que ela preparara
para restituir àquele sapo louro,
sua condição de príncipe.

(Elmano Sandino, dezembro, 1990)











O Poema é de Lustato Tenterrara
Teresina/PI - Brasil, Escritor Profissional
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=19983