28 de jun. de 2026

📓 Logbook of Insanity No. 27062026 Entry — midnight Tone: Quiet Voice: First Person

📓 Logbook of Insanity No. 27062026

Entry — midnight
Tone: Quiet
Voice: First Person



É, eu sei. Deveria estar dormindo. O comprimido que tomei e as luzes apagadas também contam essa balela. Mas estou acordada.

A noite tem cheiro de chuva e fumaça. Quando consigo discernir os cheiros é porque essa gripe me confunde menos. Espera. Consegui fazer uma daquelas respirações profundas que dizem trazer relaxamento — e definitivamente é chuva, fumaça e algo mais que prefiro não saber. Talvez seja um fantasma.

Um desses espectros de cabelo escuro caído sobre o rosto pálido, e olhos de alguma cor impossível refletindo melancolia, desdém e o poder do protagonista.

Melhor não interagir. Pode virar um poema. Ou, pior, um romance.

Está escuro.

Escrever me distrai. O vulto riu, nervoso, tentando recuperar o controle da situação.

— Então, quer contar minha história?

Desvio o olhar. A resposta não era simples. Até gostaria, mas pra quê? Faz tempo que desisti dessas coisas. O cérebro roda, captando a confissão que mudaria não só a vida dele, mas o destino de todos os envolvidos em algum mistério ridículo.

— Vai escrever ou não?

Você sabe que não. Não faz sentido. Embora conversar possa ser interessante.

Por que todos os espectros querem ser Macbeth?

A tela piscou.

Identificação biométrica confirmada.

Você não está sozinho.

Respiro fundo. Porque estou. Todos estamos, não?

Eu sorri.


O silêncio voltou.


Gosto dele.


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