📓 Logbook of Insanity No. 27062026
Entry — midnight
Tone: Quiet
Voice: First Person
É, eu sei. Deveria estar dormindo. O comprimido que tomei e as luzes apagadas também contam essa balela. Mas estou acordada.
A noite tem cheiro de chuva e fumaça. Quando consigo discernir os cheiros é porque essa gripe me confunde menos. Espera. Consegui fazer uma daquelas respirações profundas que dizem trazer relaxamento — e definitivamente é chuva, fumaça e algo mais que prefiro não saber. Talvez seja um fantasma.
Um desses espectros de cabelo escuro caÃdo sobre o rosto pálido, e olhos de alguma cor impossÃvel refletindo melancolia, desdém e o poder do protagonista.
Melhor não interagir. Pode virar um poema. Ou, pior, um romance.
Está escuro.
Escrever me distrai. O vulto riu, nervoso, tentando recuperar o controle da situação.
— Então, quer contar minha história?
Desvio o olhar. A resposta não era simples. Até gostaria, mas pra quê? Faz tempo que desisti dessas coisas. O cérebro roda, captando a confissão que mudaria não só a vida dele, mas o destino de todos os envolvidos em algum mistério ridÃculo.
— Vai escrever ou não?
Você sabe que não. Não faz sentido. Embora conversar possa ser interessante.
Por que todos os espectros querem ser Macbeth?
A tela piscou.
Identificação biométrica confirmada.
Você não está sozinho.
Respiro fundo. Porque estou. Todos estamos, não?
Eu sorri.
O silêncio voltou.
Gosto dele.
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