9 de nov de 2016

não tem nome





o céu dispara seus dardos
setas azuis lancinantes
fiapos de sombra rastejam medos


cismo anjos
livros sedados
fogueiras e selos
sexo e mentiras


tudo cai


enredadas pelos cantos as meadas desfiam
longos rosários de verdades entrecortadas
os anjos segredam revelações
em meus olhos moucos


queria que contassem dos desenhos
das tramas traçadas
dos ardis pintados na areia


mas eles sussuram sem parar
cegando teus encantos


queria que ouvissem
essas notas dissonantes e embaraçadas
sopradas no avesso da trama


distraída pela algaravia de cores
despedaço teu olhar surdo
espargindo cacos
vitriolos em que refulgem incêndios




Rosa Cardoso